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e ainda que o mundo não saiba...

 No silêncio que ninguém ouve, você me encontra. Não como um acaso, mas como o remédio que eu sempre soube precisar. Te cuido nos detalhes, nos conselhos, no toque, e você me prende nos olhos, nos gestos que dizem mais do que palavras. Sou porto e tempestade, segredo e claridade. E ainda que o mundo não saiba, a gente sabe. Não quero ser lembrança breve, nem promessa guardada. Quero ser teu refúgio constante, tua febre e tua cura, tua escolha sem dúvidas, mesmo que em silêncio.

Sua Cura

 Em meio ao silêncio de uma manhã quente e chuvosa de primavera, me pego pensando, outra vez, se tudo correu depressa demais. E no reflexo das minhas dúvidas, me pergunto se não é só cena, fantasias nascidas dos meus desejos voraz. Não quero ser para você apenas um passatempo, uma alegria breve que o vento carrega ligeiro. Quero ser teu refúgio, teu alento, teu abraço constante, teu porto certeiro. Que eu não seja apenas barco de vai e vem, uma onda curta no teu mar de alguém. Não quero ser festa que passa ao entardecer, quero ser teu remédio diário, que não pode esquecer. Quero poder gritar ao mundo que sou tua por inteiro, quero ser amada aos berros, e não em silêncio contida. Não quero ser teu segredo, nem promessa de janeiro, quero ser tua verdade, teu amor, tua vida.

Dúvidas

 O que fazer quando tudo é tão bom e a vontade é gritar para o mundo, mas a felicidade transborda em silêncio, porque o motivo é segredo? O que fazer quando a vida que chega nunca foi a vida que se teve, e cada instante novo faz o coração pulsar entre êxtase e desespero? O que fazer quando o sentir é um labirinto, sem mapa, sem certeza, quando o medo de errar é grande, mas a entrega é maior ainda? O que fazer quando os fantasmas do passado se levantam outra vez, quando o medo de repetir a dor sufoca até a alegria, e a felicidade parece algo que não se merece? O que fazer quando a fonte do riso e da dúvida, da esperança e da insegurança, não é posse, não é certeza, é segredo, é ruína, é prazer?

NADA

 Talvez eu não seja capaz de ter um amor. Nove anos de solidão não parecem suficientes. Não sei o motivo de ainda estar só. A fortaleza que me acompanha já não me protege. Não tenho força para explicar a ausência, nem para justificar o silêncio. Um motivo para não amar. Um motivo para não ser amada. No fim, não há resposta. Só o nada. Não sei. Não vivo. Não sinto.

Segredo

Cansaço me invade nessa solidão, um vazio povoado por dúvidas. E se eu nunca for o bastante? E se o destino ainda guardar caminhos que não sei como atravessar? Ainda não me acostumo a tua distância, mas aprendi a existir no intervalo entre a tua voz e o silêncio. Mesmo que nunca tenha sido meu por inteiro, mesmo que tenha sido só um agosto, cada segundo desses quase dois anos foi chama, foi promessa, foi a razão de eu seguir acreditando. Não quero ser silêncio, não quero ser sombra. Quero ser o chamado do teu futuro, o nome que te aquece sem medo, a certeza que repousa no teu peito, o abrigo que permanece. Na vida, ofereço paz e intensidade. No peito, um espaço que não sei nomear, mas que insiste em te guardar. Talvez seja saudade, talvez seja destino. Talvez seja só um desejo que encontrou casa em mim. E ainda assim, fico aqui, serena na coragem de sentir, aceitando o que não domino, acolhendo o que me encontra mesmo no silêncio.