Cansaço me invade nessa solidão, um vazio povoado por dúvidas. E se eu nunca for o bastante? E se o destino ainda guardar caminhos que não sei como atravessar? Ainda não me acostumo a tua distância, mas aprendi a existir no intervalo entre a tua voz e o silêncio. Mesmo que nunca tenha sido meu por inteiro, mesmo que tenha sido só um agosto, cada segundo desses quase dois anos foi chama, foi promessa, foi a razão de eu seguir acreditando. Não quero ser silêncio, não quero ser sombra. Quero ser o chamado do teu futuro, o nome que te aquece sem medo, a certeza que repousa no teu peito, o abrigo que permanece. Na vida, ofereço paz e intensidade. No peito, um espaço que não sei nomear, mas que insiste em te guardar. Talvez seja saudade, talvez seja destino. Talvez seja só um desejo que encontrou casa em mim. E ainda assim, fico aqui, serena na coragem de sentir, aceitando o que não domino, acolhendo o que me encontra mesmo no silêncio.