A cura

Eu gostaria de contar uma história de amor como os filmes que vejo e livros que leio. Queria ter podido viver um romance como em qualquer romance de natal que nós já vimos.

Queria poder contar histórias de fazer sentir que tem uma montanha russa dentro de seu estomago, que faz você imaginar pássaros cantando e dias ensolarados. 

Mas, a verdade é que eu não tenho nenhuma. Não vivi um romance de conto de fadas, muito menos um incrivelmente capaz de inspirar pessoas.

Veja bem, essas histórias de amor são irreais, e excedem expectativas. São capazes de fazer você buscar algo difícil e até mesmo impossível.

Pois bem, vou dizer o que sei.

Eu sei apenas contar histórias tristes e de força feminina, de amor próprio a ser recuperado e de coração partido. E essa aqui é só mais uma história de amor que se transformou em dor.

Tão breve, tão pequena, tão insignificante, que mesmo assim causou um estrago no coração da que vos fala. Vou deixar vocês tirarem essa conclusão... talvez seja apenas efeito do devaneio:

Era verão em 2012, e eu já não tinha nenhuma lágrima nos olhos para chorar. Era incrível a minha capacidade de amar uma pessoa que ao fundo jamais me amou de volta, ou sequer gostou de mim.

Ah, talvez algum sentimento tenha tido, talvez posse, talvez segurança, talvez medo de ser sozinho. Cada dia passava com uma lentidão devastadora, e os dias de sol, se tornaram cinzas para mim.

Toquei a minha vida com a maior força que consegui encontrar. Tudo parecia impossível naquele momento, mas eu tinha que tentar. E foi quando eu te vi a primeira vez.

Um sorriso solto e os olhos pequenos e intensos que me fez encontrar forças.

A força que eu nem sabia ser capaz de ter naquele momento.

Arrisquei e não me entreguei, mas quanto mais eu te conhecia, mais difícil se tornava.

Seu toque era suave, sua preocupação era constante, e sua determinação em me fazer feliz era, de certa forma, sufocante. Era difícil saber que um dia eu te deixaria. Deixaria seus abraços, seu toque, seu beijo. Deixaria sua atenção, deixaria sua preocupação e seu cuidado...

E quanto mais o sentimento se tornava real, mais o meu impulso era me afastar.

“Ora! Deveria eu trocar tudo que eu sabia e entendia sobre o amor por algo que talvez fosse um amor de verão?”

Meu medo se tornou real, me fez colocar o pé no chão e me afastar. 

Meu lugar não era com você. Talvez a época não era com você. Meu coração não conseguiu ser inteiramente seu.

Então, retornei ao que conhecia e te deixei para sempre. E como uma boa romântica incurável, estava certa que eu estava retornando ao meu grande amor, para aquele que foi moldado para mim. Afinal, meu amor não estava totalmente com você, meu amor não era com você

E eu estava certa! Meu amor não era com você.

A verdade é que o seu amor não era comigo, e o meu também não era onde eu conhecia. E nem o dele era comigo.

Saber de tudo isso hoje dói. Mas talvez o melhor caminho da época não teria me entregado meu maior presente. 

Hoje me encontro em uma vida totalmente sem amor romântico, e cada dia que passa o romance incurável que havia dentro de mim se torna curável, com a certeza de que o amor não é para todos.

A solidão é cruel, minha gente, mas talvez isso é o que meu coração mereça. Apenas o desprezo de ter amado tão desesperadamente, que não tenha enxergado que o meu verdadeiro amor estava bem pertinho de mim... que o meu verdadeiro amor deveria ter sido eu!

 

                                                                   Com amor, uma romântica curada. 

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